domingo, 31 de julho de 2011

o sentido da guerra

Estava em uma guerra
Em um campo deserto pelos mortos
O sangue ao longe e em toda a minha mão
Mãos tremulam em uma espada a flamejar

Lembrando das horas de guerra
Ao final de varias batalhas
Tudo acabou depois de muita morte e tensão
A felicidade por ter chegado ao fim
Mas sabia que nunca sairia da minha cabeça todo o massacre que vivi
Todas as chacinas que tive que participar

Dizem que os deuses perdoam os que têm que matar para sobreviver
Mas em minha mente sei que também matei por prazer
E pra me aliviar do peso do sofrimento
Dizem que os deuses são justos com os guerreiros
E que os reis são gratos aos que lutaram por sua causa

Pergunto-me se a causa é justa
Se sua importância é tão grande
Por que os reis também não estão lutando no campo de batalha
Por que os mortos ganham medalhas em nome de uma causa que não viveram
As famílias orgulhosas dos seus guerreiros
As esposas a choram explicando aos filhos o valente pai que tiveram

Estou em um campo de batalha pensando em tudo que vivi
Pensando em tudo que os mortos deixaram de viver
A espada tremula na mão
A minha frente a ultima vitima da guerra santa
Mais uma cruzada que acabou em nome da divindade divina

Estou em um campo desolado pela morte
Sou o ultimo guerreio, o orgulho de uma nação.
O verdadeiro santo a ser coroado
Segundo as palavras do reis
A corte esta feliz seus problemas acabaram
Resolvi tudo com minha espada
Os problemas da realeza, que nada soube do que ocorreu no campo.
Que dormirão tranqüilos por não terem ouvidos gritos de dor
Que não deceparam nenhuma cabeça ou perdeu um companheiro de infância

Uma verdade que não posso viver
Um gloria que não me faz sentido
O sangue já esta terminado de escorrer
Logo pararei de pensar nisso
O sangue na minha mão também é meu
O corte abaixo da minha cabeça me faz ver que nada é eterno
E o que mais doe é saber que festejaram a vitória
Sem terem sabido de tudo que ouvimos e sentimos aqui
Mas isso não importa mais, o sangue acabou de escorrer

a verdade no fim

Sempre estou perdido, não sei se isto é uma ilusão.
Tudo roda devagar a minha volta, e não sei mais onde é o norte.
Vejo vultos tentando me acalmar, me falando para descansar.
Tenho um gosto estranho na boca que me parece familiar

A lua já não pinga mais sangue
Os estranhos fanáticos já se foram
Aos poucos uma recordação de nostalgia me afeta
Um cheiro delicioso de rosas, como eu queria estar lá agora.
Quase não me lembro dos campos, mais o cheiro é inconfundível.

Tantos erros pelo qual passei
Tantas vezes que pensei estar certo
Lutando por uma causa errada
Convicto de que a verdade estava lá

Matei muitas esperanças para satisfazer as minhas
Vivi muitas imprudências, para ver onde estava o meu objetivo.
Deixei muitas coisas pra trás para ver onde conseguia chegar
Passei pelo tormento durante muito tempo, sabendo no fundo que estava errado.
Desprezei a causa certa por parecer mais difícil de lidar
Agora percebo os erros do passado

Agora já não a mais tempo de remediar a situação
Agora estou à beira da morte
Tornei-me auto-destrutivo
Agora que vejo a verdade não tenho como usa-lá
Agora não a mais volta, estou perto do fim.
Estou prestes a cair, cheguei ao principio do fim sem saber como agir
Agora me tornei uma alma decaída, agora sou um suicida